Domingo, Novembro 15, 2009

Uma fortuna demasiado discreta

Os homens procuram a fortuna onde quer que ela esteja. Um dos velhos tios da nossa genealogia emigrou para o Brasil depois de um caso amoroso que lhe consumiu anos de tranquilidade. O argumento, usado durante todo o século XX, era diferente: partiu em busca da fortuna. A família nunca fez muitas perguntas sobre a história, e ele regressou nos anos sessenta para se recolher a uma quinta nos arredores de Afife, de onde via o mar, os cobradores de impostos e um resto de arvoredo que o separava das montanhas. Do Pernambuco trouxe, de facto, a fortuna.

Os portugueses não andaram pelo mundo fora para, nas palavras de hoje, “criar riqueza”. Para “criar riqueza” é necessário disciplina, um plano, fundos, vontade férrea – e uma espécie de inteligência que não se produzia em Coimbra (ai de nós) nem nos Ministérios: a que estava relacionada com as coisas práticas e com o chamado “longo prazo”. Assim, nas colónias ou onde quer que fosse, os portugueses enriqueceram sem criar riqueza, ou seja, fizeram fortuna. Depois, por vaidade e, em alguns casos, por embirração com a pátria, também realizaram grandes feitos e deixaram obra. Um português gosta de deixar obra, da mesma forma que um pai de família do Minho gosta de prover os seus filhos com uma herança.

Os holandeses, que ocuparam o Pernambuco durante alguns anos, não se limitaram a explorar o açúcar brasileiro – levaram bibliotecas e arquitectos, construíram jardins e pontes, estudaram a botânica dos trópicos, lançaram as bases de uma pequena civilização entre a barbárie da época. Os bárbaros, digamos, eram os plantadores de cana de açúcar. Quando a exploração local começou a ficar deficitária, de Haia mandaram-nos regressar, coisa que a batalha de Guararapes acelerou em definitivo. Um dos antepassados dos Homem governou episodicamente o forte de Itamaracá, de onde os Orange holandeses foram expulsos.

A fortuna do tio Alfredo nunca levantou suspeitas, por pudor – era discreta e dava-se ao luxo de não ser exibida. Ao contrário dos torna-viagem do início do século, a quinta de Afife era um prodígio de discrição e de sensatez. O tio Alfredo era um ser moral que trazia na pela o ferrete dos trópicos. A tia Benedita, a matriarca da família, nunca gostou dele; não por ser rico, mas porque suspeitava que, no intervalo das colheitas e do desbravamento de terras conquistadas ao sertão, ele tinha sucumbido à luxúria local e se deixara viver em pecado. Era verdade. Viveu em grande, fez fortuna, cumpriu um destino. Morreu tranquilamente, a meio de uma merenda de melancia.

in Domingo - Correio da Manhã - 15 Novembro 2009

Domingo, Novembro 08, 2009

Eu, o conservador diante da mudança

Para abreviar, a minha sobrinha Maria Luísa acha que um conservador pertence ao jazigo de família – onde, além da Tia Benedita, repousam os restos mortais de avoengos e antepassados que combateram pelo senhor Dom Miguel. Assim sendo, o meu lugar entre os vivos está concedido de empréstimo enquanto não regresso ao lado de lá do mundo – porque “o mundo” é um lugar onde vive gente civilizada que ama o progresso, a informática, a biologia molecular, os casamentos entre homossexuais e o vegetarianismo. Já tentei por várias vezes desiludi-la, reafirmando que o mundo vale pelo combate entre aqueles que acham que vale a pena mudá-lo porque isso dá sentido às suas vidas, e os que acham que a vida há-de ter (ou não) um sentido independentemente das mudanças do mundo. Debalde a informei sobre como era relativa a classificação. A ideia de que um conservador não merece o chão que pisa parece-me altamente valorizada por anos e anos de mudanças na direcção de vários abismos. Há mudanças que são mais perigosas do que a manutenção das coisas como estão; e há pessoas que se recusaram a mudar o mundo por acharem que mais valia esperar que o mundo estivesse disponível para ser mudado. Mas vivemos na era da velocidade – as coisas têm de ser feitas e têm de ser feitas depressa. O que passa, já passou (como o tempo); o que está para vir é já uma concessão, a crédito, ao tempo presente.

Maria Luísa acha que não tento reerguer o muro que separa o jardim do pinhal que ilumina as traseiras da casa de Moledo por puro conservadorismo. Tentei explicar-lhe que não; que era por preguiça. Mas o argumento não colheu e ainda bem: gosto de muros caídos e de pinhais que resistem ao tempo, tal como gosto de um mundo que tem prazer em conservar ruínas e inutilidades. Sou um representante dessa minoria que prefere ser livre a agrilhoar-se a compromissos com o improvável. Não faço juízos sobre a moralidade dos outros, agradecendo que não me obriguem a seguir pelo caminho dos outros. Reconheço que é necessário mudar coisas no mundo – mas sei, pela história dos últimos duzentos ou trezentos anos, que as mudanças bruscas e as revoluções não apenas relembram a triste condição do género humano como se limitaram a substituir uma tirania por outra. E não sou um escolho no meio do “progresso moral” da sociedade; não me incomoda o casamento entre homossexuais, apenas peço que não se transforme em regra essa novidade. Um conservador encolhe os ombros. Vê o movimento dos astros e considera, com largueza, que há coisas que não pode mudar e pronto.

in Domingo - Correio da Manhã - 08 Novembro 2009

Domingo, Novembro 01, 2009

Recordações de amor num mundo antigo

O mundo não foi feito para ser perfeito. Na semana passada mencionei as viagens do meu Tio Alberto – o mais inconsolável viajante da família, contemporâneo dos anos de oiro da década de cinquenta e sessenta – e perguntava-me por que razão não saí eu do Minho. Saí. Saí e voltei, como todos os seres com medo de se esquecerem do caminho de casa.

As minhas viagens foram sempre uma profilaxia do espírito ou, então, uma obrigação ditada pelos deveres familiares e pelo calendário das estações. Herdei esse ritmo: o velho Doutor Homem, meu pai, suspirava quando chegavam os primeiros dias de Primavera, sabendo que se aproximavam aqueles tempos de asfixia em que teria de dispensar a pátria e os seus conterrâneos para poder sobreviver a ambos. Eram viagens planeadas com o rigor de um teodolito – e cujo plano se alterava permanentemente, consoante a bolsa e a disposição dos Elementos. Várias vezes partimos – a família ocupava o velho carro com parcimónia e sentido da economia – para Biarritz com a sensação de que nunca lá chegaríamos, tal era o seu medo (justificado) de encontrar visitantes do Porto a transformar numa extensão da Foz aquilo que era um retrato das velhas férias românticas da desaparecida nobreza europeia. Tratava-se de uma promessa permanente: visitar Biarritz. Foi lá, numa tarde de cinza enevoada, que o velho Doutor Homem, meu pai, pediu Dona Ester em casamento. Ele conhecia o mundo, tinha profissão e vestia fatos de ‘tweed’, uma excentricidade britânica; ela frequentava Biarritz e não se constipava nem tinha medo do sol de Verão. Estavam talhados um para o outro, mesmo que não fossem um casal perfeito. Dona Ester nunca impediu as obsessões triviais ou extravagantes de um advogado bibliófilo do Velho Porto, compreendendo que um homem deve respirar o ar que respira, ou fenece; o velho Doutor Homem, meu pai, deve ter lido todos os romances de D. Agustina antes de ela os ter escrito (com aquela sabedoria inteligente que as nossas esquerdas nunca desculparam), porque percebia que o poder oculto, o poder secreto, o poder – finalmente – pertenceria de pleno direito à sua mulher e a não a ele. Para isso contribuíram anos e a anos de compreensão e de insinceridade – coisas que estão na base do respeito e da reservada sensualidade familiar.

Vistos de fora, pareciam estranhos num mundo de gente conhecida. Mas uma cumplicidade sagrada e profunda unia-os na vida e prolongou o amor: era aquela indiferença “ao romance”, o desprezo pelo romantismo lamechas. Eram gente como hoje se encontra raramente.

in Domingo - Correio da Manhã - 1 Novembro 2009

Domingo, Outubro 25, 2009

Meditações geográficas e sentimentais

A geografia é uma ciência reaccionária. A minha sobrinha – contei-o na crónica anterior – gostaria de mudar a posição de Portugal no planisfério para que estivéssemos mais próximos das suas latitudes. Mas não pode. As temperaturas da Senegâmbia não são as mesmas de Francoforte, e isso tem efeitos dramáticos no ritmo de vida. Fazia-nos jeito estar a meia-hora de Paris ou de Londres para efeitos civilizadores, mas, infelizmente, estamos encostados às Berlengas e à Ínsua de Moledo, verdadeiro promontório da minha velha pátria, que é o Minho de antanho, verde e litoral.

O meu Tio Alberto era o grande viajante da família. De cada vez que o recordo sinto-me um minhoto dos Arcos, sitiado diante do Gerês e do Soajo, enfiado num vale de onde nunca se sai a não ser para os braços do Eterno. Abandonando a Pátria a um ritmo sazonal, o Tio Alberto não lutava apenas contra o isolamento – o seu combate era contra os Elementos e contra o Destino. Ele não procurava Paris nem Londres (ao contrário do velho Doutor Homem, meu pai, para quem a cidade do Tamisa era o centro de todas as civilizações, antigas e modernas, pelo menos do seu planisfério, contando que nunca se deixou fascinar por Leptis Magna ou pela travessia do Bósforo): viajava para onde lhe não era permitido nem pela sua educação, nem pelos hábitos dos seus antepassados, nem – convenhamos – pela diplomacia da época. Ele apreciava a velha Pérsia e o Cáspio. Atravessava o Bósforo, justamente, em busca do desconhecido – e regressava ao Minho convencido de que o não encontrara ainda. Buenos Aires, Teerão, Istambul, Helsínquia, os planaltos astecas ou as coroas de algumas expedições pelo Levante: os seus mapas eram obtusos e nunca revelaram uma busca disciplinada, gerida pelo interesse ou pela necessidade; partia ao acaso, aproveitando a sua condição de celibatário, que lhe proporcionava tempo, fundos e liberdade. Apaixonou-se, em vida e creio que para lá da morte, por princesas russas e por mulheres cujo nome ignoro.

A Tia Benedita reprovava o tema e a tentação. Ela acreditava que o sistema solar estava errado e que o centro de todas as gravitações planetárias era Ponte de Lima, com as suas bandas de música, as suas romarias, os seus muros, as suas mimosas, as suas relíquias familiares. Nunca descobri por que razão não parti também eu, celibatário e remediado, à procura do desconhecido. Penso que o forte da Ínsua, coberto de neblina, me impediu de achar que o mundo fosse de uma natureza muito diferente da dos pinhais de Moledo. Não sei.

Domingo, Outubro 18, 2009

Alterações climáticas e felicidade geral

O velho Doutor Homem, meu pai, era um dândi. A acusação não tem nada de mal e, por si só: prende-se com considerações gerais sobre a meteorologia. Nesses anos, dourados pela nostalgia a esta distância, o antigo praticante de bilhar mandava fazer os seus dois fatos de meia-estação quando se aproximavam as temperaturas moderadas de Outubro. Eram, geralmente, copiados dos modelos que chegavam nos retratos do ‘Telegraph’ e nas recomendações do ‘The Sportsman’, uma revista que deixou de existir quando eu comecei a precisar dela.

A meteorologia exigia-o. Entre Setembro e Novembro, coisas suaves aconteciam nos céus e só as geadas das derradeiras semanas de Novembro lembravam a proximidade do Inverno. Até lá, e desde as vindimas – a época em que o meu avô partia para as suas rondas pelas quintas do Douro –, o tempo oscilava, pregava partidas e mostrava a sua excentricidade. O que aconteceu entretanto, nestes anos, não me sugere grandes observações a não ser que às vezes está mais frio e que, de outras, faz abundante calor. Mas o mundo está mais desequilibrado. A minha sobrinha atribui as culpas ao capitalismo em geral e enumera “desastres ambientais” que terão dependido quase exclusivamente dos americanos. Eu lembro-lhe também os chineses e os russos, mas o meu argumento não procede – gostamos de um inimigo próximo e vulnerável. A esta distância, que efeito produzem as críticas em Pequim e em Moscovo? Nenhum.

Mas eu continuo a achar que Moledo continua a viver os seus dias tranquilos, uma espécie de reserva moral e climática da nação e do nosso hemisfério. Os passeios ao longo das dunas, pelo trilho dos pinhais, parecem-me tão saudáveis como há vinte anos; o calor do meio-dia de Verão dá lugar a uma tepidez cheia de pudor que acalma as ondas. Sou pouco dado ao bucolismo – uma herança de família – mas comove-me esse retrato da natureza que muda apesar do capitalismo em geral. Limito-me a achar que a ordem das coisas está bem feita onde a minha sobrinha prevê convulsões terríveis e tragédias iminentes; ela voltou na semana passada da Alemanha, onde apanhou temperaturas negativas. A sua primeira reacção foi achar que tinha “regressado ao seu clima”, este, português e caloroso, próximo de Marrocos. Mas não: logo de seguida lembrou-se das “alterações climáticas” e verifiquei que ela também queria, além de mudar a meteorologia, de mudar a cartografia que atormenta os geógrafos. Colocar o país ao pé do Báltico seria uma grande coisa, acho eu. Felizmente os mapas são como são: está calor em Outubro? Pudera, é Portugal.

in Domingo - Correio da Manhã - 18 Outubro 2009

Domingo, Outubro 11, 2009

As coisas novas chegam a Moledo

O velho Doutor Homem, meu pai, observou cuidadosamente o primeiro grande aparelho de estereofonia que entrava pela antiga casa do Porto antes de emitir um juízo: “Isto não vai parar.” Ele referia-se à catadupa de novidades que começaria a chegar – e chegou – com a electrónica e a tecnologia dos anos setenta. A minha sobrinha Maria Luísa recorda-se vagamente do significado da expressão “vira o disco e toca o mesmo”, mas não tem a noção de quanto isso era verdadeiro e poderia acontecer. Virar o disco e tocar o mesmo era, de qualquer modo, um acontecimento, e reenvia-me para uma das velhas grafonolas que estacionaram numa das casas de família e que continua guardada no velho casarão de Ponte de Lima, ele já de si mesmo uma espécie de museu. Nesse aparelho tudo era mau: a cobertura de pele que se foi corroendo, o estado lastimável das suas agulhas de cobre, a flanela que cobria o prato que se movia a setenta e oito rotações por minuto, a manivela que accionava o prato e o mandava rodar – e até os discos da His Master Voice ou da Universal com simpáticas interpretações de óperas a que Maria Callas não sobreviveu, mas que representaram anos de veneração a Anna Moffo, a soprano a que o velho Doutor Homem, meu pai, devotava um amor não correspondido, secreto e cheio de mal-entendidos.

O meu tio Alberto, esse que foi o bibliófilo da família e que, de São Pedro de Arcos, no alto das serras, passeava pelo planisfério com a ironia dos melros de arribação, preferia – para uma grafonola Silvertone dos anos trinta – os seus discos de modinhas brasileiras e do ‘fox-trot’ que chegava ao Minho com décadas de atraso. Nesses anos – os anos cinquenta –, imagino-o escutando Dick Farney, o cantor mais famoso da época em Copacabana, no seu eremitério serrano, poiso sazonal para as suas deambulações pelo mundo fora. Será talvez uma imagem demasiado melancólica para a época (este Outono de empréstimo, tépido e apenas refrescado pela ondulação do sargaço à crista das ondas), mas ela funciona como uma gratificação de esplendor e de glória pessoal. Solitário, o Tio Alberto vivia rodeado de livros e de mapas, de almanaques e de instrumentos de cozinha. Foi ele que inaugurou a dinastia dos celibatários da família, que eu continuei com desvelo e egoísmo, desinteressando-me do futuro da espécie e crente na competência do resto dos Homem para se reproduzirem e se multiplicarem com vaidade. Assim tem sido. Eu estou entre as coisas velhas da família e as coisas velhas de Moledo. Sou uma grafonola dos anos trinta.

Domingo, Outubro 04, 2009

Os crepúsculos de Outono não regressam

O Outono vem cada vez mais tarde. Nem neblinas, nem chuvas mansas, nem interrupções para descolorir Moledo com a paleta de Outubro. Talvez ainda seja cedo para a literatura do género.

Já um dia contei aos leitores que a grandiosidade do crepúsculo do Outono não me traz à memória “those sad, dangerous things”, aquelas tristes e perigosas coisas para que o velho doutor Homem, meu pai, nos costumava advertir, roubando o verso a Shakespeare para nos emprestar algum do brilho e cultura que desperdiçaríamos com vaidade e inconstância. Ele tinha lido o verso numa daquelas antologias isabelinas que assinalavam a triste doçura do amor e citava-o amiúde quando os plátanos da Foz começavam a anunciar o Outono. A família nunca seguiu à risca a cartilha romântica do constitucionalismo, que mandava aproximar-se a melancolia com as folhas do Outono e afastar-se com o esplendor dos botões de magnólia explodindo nos jardins burgueses do Porto. O único mal que afligia esta família de varões insensíveis e de senhoras temperamentais mas de ideias fixas, era o reumatismo – não os hendecassílabos nem a rima alternada.

De modo que o crepúsculo do Outono não é um prefácio à melancolia da época. Traz-me recordações invejosas. Naquele período que ia do Verão de Ponte de Lima (quinze dias de Agosto, fatais e silenciosos, familiares) ao recomeço da vida depois das férias, havia um período em que permanecíamos na praia, assistindo à despedida da época balnear e à chegada dos bandos de patos das dunas, que vinham do interior para recuperar as dunas. Os anos cinquenta foram os meus anos românticos; o pôr do Sol de Afife, a estrada do Minho (esse litoral fotogénico que vai de La Guardia até aos arredores de Vila do Conde), a primeira viagem ao Brasil, o meu derradeiro Verão no Tamariz – tudo isso tem um ar de despedida de época balnear. De repente, os toldos de praia (uma raridade na época) recebiam o primeiro látego do vento de Outono, as primeiras chuvas, as leituras finais que sobravam da biblioteca aconselhada pelo velho doutor Homem, meu pai, confiante em que todas as estacões do ano eram boas para cultivar o espírito e para afastar os sintomas de barbárie. Mas eu já não era adolescente na altura.

Eu já tinha envelhecido e vestia fatos cinzentos, ou escuros, e usava chapéu. Formava a minha biblioteca. Resumia os meus amores até entã, jogava ‘poker’. Foi durante um crepúsculo de Outono que se desfez o meu noivado, anunciado com moderação. Aprendi que os crepúsculos de Outono não regressam.

in Domingo - Correio da Manhã - 4 Outubro 2009